Projetada no Rio Iapó, no município de Castro, Paraná, a Pequena Central Hidrelétrica CASTRO se localiza à margem da estrada para Colônia dos Agostinhos, Capão Bonito, nas coordenadas 24°44'11,91”S e 50°07’08,94"W. Este é o primeiro aproveitamento a jusante da sede municipal de Castro. No local do aproveitamento o rio Iapó apresenta o início das corredeiras que marcam os declives deste rio. A central hidrelétrica fica a 60 km da foz deste rio no Tibagi, que é um dos afluentes do rio Paranapanema, pertencente à grande bacia do rio Paraná.

O Projeto Básico deste empreendimento o descreve como constituído de uma barragem transversal ao curso do rio, com 1,74m de altura, em concreto armado, estruturada com contrafortes, que interceptam as águas do rio Iapó, desviando-as através de um canal adutor superficial de 330m. Este levará as águas até o emboque do túnel adutor, de 660m de extensão, escavado em rocha onde, as introduz na casa de força, através de dois condutos forçados de 21,0m de comprimento e 2,70m de diâmetro. A casa de força foi construída em casco estrutural impermeável, em concreto armado e superestrutura metálica, com 357,33m2, onde foram instaladas duas turbinas geradoras tipo Kaplan S, com eixo horizontal de 1,85m de diâmetro.

Previu o Projeto Básico que a barragem formaria um reservatório na cota de altitude 967m, com o total de 16,48ha de área alagada, dos quais 12,40ha pertenceriam à calha natural do rio, logo alagando efetivamente apenas 4,08 ha. O reservatório acumularia um volume morto de 0,084 x 106 m3, sem faixa de deplecionamentos (variação do nível das águas por interesse da geração). No entanto, em períodos de cheias excepcionais (TR 1000) foi calculada uma elevação do nível do reservatório até a elevação 970,80m, mas mantendo-se a cota de altitude operacional de 967m ao nível do mar. O nível normal a jusante é de 953,80m, representando uma diferença de cota da ordem de 13,2m. Nestas condições a PCH Castro recebeu do então IAP, hoje IT, a Licença de Operação nº 35.324, com a qual se deu início à geração hidrelétrica efetiva.

Ao início desta Operação constatou-se a necessidade de se procederem alguns ajustes do empreendimento, de imediato para solucionar problemas causados pelo elevado volume de plantas aquáticas flutuantes. Também, para enfrentar situações hidráulico-geológicas percebidas assim que se formou o reservatório: as novas condições criaram várzeas permanentes em ambas as margens, acumulando volumes d’água significativos que impediriam os proprietários lindeiros de ali exercer quaisquer economias rurais. Reconhecendo esta restrição de uso, provocado pelo reservatório, nestes imóveis, o empreendedor houve por bem incluir tais ampliações de origem hidrológica à sua área efetiva, logo indenizando os lindeiros com recursos de compensação financeira na forma de aluguel dos terrenos.

Tais ajustes se tornaram indispensáveis, e constatou-se que as medidas de saneamento destas situações representaram ganhos ambientais e sociais expressivos, ademais convenientes ao sistema hidrelétrico, já que isso contribui para um volume constante de água para geração. Neste contexto foi também aumentada a vazão sanitária, que estava prevista em 1,30m3/s, para 5,45m3/s, considerada necessária para dar vazão às macrófitas flutuantes que passaram a ocupar a superfície do reservatório. Esta vazão não precisa ser contínua, mas acionada cada vez que os ventos trazem as ilhas de macrófitas para as proximidades do vertedouro. O aumento da vazão sanitária também se deu pela implantação da escada de migração dos peixes, pleiteou-se junto ao órgão ambiental a consolidação da nova cota do reservatório, que ficou definida na elevação

No corpo da barragem uma escada de peixes por onde flui a vazão ecológica, sem comportas de controle, com capacidade de verter 1,30 m3/s. Logo abaixo da barragem há uma larga corredeira. Havendo uma estiagem que possa reduzir a vazão, a geração será interrompida, mas será mantida a ecologia do rio. Não haverá deplecionamento operacional.

O aproveitamento prevê gerar um volume de 2,58 MWmed ou 22.618 MWh/ano, através de dois geradores com potência unitária de 2.500kVA, captando a energia resultante da vazão turbinada de 37,23m3s em uma queda líquida nominal de 12,40m. Uma rede de transmissão levará a energia até a cidade de Castro, entregando-a ao Sistema Interligado Nacional através da COPEL, Companhia Paranaense de Energia. Para se localizar e compreender melhor o projeto, ver os desenhos 01 a 05.

A PCH CASTRO estará aproveitando uma vazão média de 32,60 m3s, mas manterá escoando permanentemente um volume de 1,33m³s pelo leito do rio, para evitar que se seque nos períodos de estiagem.

Em torno da represa esta a Área de Preservação Permanente (APP) onde se mantem a vegetação natural, pequenos porções alteradas. Esta área protetora certamente abrigará a fauna que ainda se refugia nas poucas áreas das matas ciliares do rio Iapó.

O Estado do Paraná possui em sua Constituição postulado que reconhece a importância de empreendimentos como este e recomenda declaradamente incentivar sua implantação. O Projeto Básico desta PCH foi desenvolvido pela empresa Design Head Engenharia & Construtora Ltda.